Sangha é o nome dado à comunidade buddhista, formada por monges, monjas, noviços e na maior parte das tradições, também pelos praticantes leigos.

 

A comunidade buddhista, tanto a leiga quanto a monástica, foi se expandido gradualmente. O Buddha delegou o ensino do Dharma aos monges que tinham alguma realização espiritual e capacidade de ensinar. Assim, grupos de monges recitadores, eram responsáveis por memorizar e ensinar determinadas porções dos ensinamentos.

 

Os primeiros monges eram andarilhos que vagavam pelos reinos indianos a fim de difundir os ensinamentos de Buddha. Assim como os seguidores de outros mestres, os monges buddhistas viviam de maneira muito despojada e se vestiam com mantos cor-de-açafrão. A única diferença é que eles raspavam a cabeça como sinal de renúncia à vaidade e não aceitavam alimentos crus porque não podiam cozinhar. A cada mês, se reuniam para a cerimônia de upavasatha (páli: uposatha), que incluía uma confissão e a recitação dos votos monásticos.

 

 

Os Concílios

 

Pouco tempo após o falecimento de Buddha, no ano 483 a.C., a comunidade monástica sentiu a necessidade de formalizar toda a doutrina, para que se mantivesse total fidelidade à mensagem original. Desse modo, realizou-se o primeiro concílio Buddhista (foram 4 no total).

 

Esse encontro reuniu além dos 500 sacerdotes que mais se destacaram pelo conhecimento da doutrina, o discípulo Ananda, que dotado de memória prodigiosa, recitou todos os discursos de Buddha. Eles foram então, compilados no Cesto de Discursos (sânsc. Sutra Pitaka). De maneira semelhante, o monge Upali, que era o responsável por raspar a cabeça dos monges antes da ordenação, teria sido questionado sobre as regras monásticas, e suas respostas foram então registradas no Cesto de Disciplinas (sânsc. Vinaya Pitaka). Os cestos dos discursos e das disciplinas, em conjunto com o Cesto do Ensinamento Superior (sânsc. Abhidharma Pitaka), formam o cânone buddhista, chamado de os Três Cestos (sânsc. Tripitaka).

 

Com o passar do tempo, diferentes interpretações a respeito dos ensinamentos foram sendo formuladas. Conseqüentemente, do segundo ao quarto concílio, várias escolas filosóficas se formaram.

 

Atualmente existem três delas: Theravada, Mahayana e Vajrayana.

 

 

THERAVADA

(errôneamente chamada de Hinayana)


Literalmente "O Mais Velho Discurso", caracterizadas pelas escolas do Sudeste Asiático. São escolas de tendência monástica, cujas bases argumentativas se fundamentam nos textos  originais do pensamento de Buddha.


A linha Theravada vem a ser uma escola profundamente associada à pratica, e sua natureza é muito pouco devocional e despojada de ritos complexos. Possui uma tendência argumentativa que, se não for vista com cuidado, pode levar a excessos racionais, mas seus conceitos são de extrema pertinência e importância. Considero tal linha a mais original ao discurso de Buddha.

 

Os textos mais estudados nesta escola são:

 

- O Cesto da Metafísica do cânone páli, uma compilação de ensinamentos sobre a filosofia e psicologia buddhistas;

- O texto Visuddhi-magga, escrito por Buddhagosha, valoriza a ética, a sabedoria e a meditação;

 

Os monges theravadins, ou bhikkus, são identificados por suas cabeças raspadas e vestes cor-de-açafrão. Nos países do sul e sudeste asiático, é muito comum vê-los caminhando de manhã para pedir alimento. Esta prática, feita pelo próprio Buddha, é mantida até os dias de hoje como um meio de criar méritos e de desenvolver a generosidade entre os praticantes leigos.

 

Tem hoje aproximadamente 125 milhões de adeptos (38% dos budistas), principalmente no Sri Lanka, Laos, Birmânia, Camboja e Tailândia.

   

 

MAHAYANA

 

O formalismo de algumas linhas Theravada, e a tendência lamentavelmente humana em se prender aos aspectos rígidos e/ou excessivamente dogmáticos nas filosofias espirituais levou no Buddhismo ao desenvolvimento das linhas Mahayana, cujos objetivos - pelo menos em teoria - eram ampliar o sentido dos ensinamentos de Buddha.


Para realizar isso o Mahayana se caracteriza em desenvolver o conceito da Compaixão, fundamentando sua argumentação na transmissão do Dharma para todos, leigos ou não. A partir disso o Mahayana desenvolve toda uma mística sagrada de natureza eminentemente devocional, onde um grande número de Buddhas e Bodhisattvas, todos de natureza mítica sagrada, vieram a compor estas linhas.


Se no buddhismo mais antigo do Theravada a figura de Shakyamuni Buddha se mantém em sua posição como fundador do Buddhismo, nas linhas Mahayana ele é tão-somente mais um dos Buddhas, ainda que em posição destacada e às vezes de "liderança" de todos os seres sagrados.

 

Atualmente pode-se organizar a linhagem Mahayana em dois grandes grupos:


Escola do Lótus - Ou Tien-Tai, é a Escola Devocional de Terra Pura e a Escola dos Mistérios, uma forma Chinesa do Buddhismo Tântrico.


Escola Ch'an - Ou Zen, é a mais destacada das escolas chinesas, chegando à China trazida pelo patriarca Bodhidharma (cerca de 500 d.C.). Sua figura é objeto de controvérsias (se existiu ou não), mas é claro que o Ch'an surgiu na época datada como associada a este monge indiano, do clã dos Kshatryas.


Ao contrário das escolas místicas mahayana, podemos dizer que o Zen é a linha Mahayana que mais procura retornar aos ensinamentos originais de Buddha.


Bodhidharma pretendeu estabelecer uma prática e filosofia buddhista fundamentada no Dhyana ou meditação, mas tal prática era bem menos enfatizada do que no Zen mais moderno, já preso a um rígido código de conduta. Sua base era puramente reflexiva e voltada para o descondicionamento quase radical com os aspectos intelectuais de estudo e compreensão da Vida. Ele não se preocupou em "criar" uma escola, mas seus ensinamentos - como é natural na tendência institucional humana - foram aos poucos se fundindo em uma organização chamada de Ch'an, após sua morte.


O Zen original era extremamente ligado à filosofia Taoísta (não confundir com a religião de mesmo nome), e portanto sua argumentação é muito despojada de aspectos rígidos e dogmáticos. Os primeiros patriarcas após o semi-mítico Bodhidharma (Seng-Ts'an, Hui-Neng, Shen-Hui, Ma-tsu, e mesmo Lin-Chi) raramente enfatizavam o Zazen, chegando mesmo a descartá-lo como não tão necessário. O enfoque era no insight intuitivo, resultante do Wen-ta ou em "perguntas e respostas" visando à perplexidade no intelecto, da racionalidade, com o objetivo de levar a mente ao estado de tranqüilidade.


Cerca de seiscentos sutras do buddhismo Mahayana foram preservados até os nossos dias, escritos em sânscrito, tibetano, chinês e japonês. Os principais são:

 

- Sutras da Perfeição da Sabedoria (Prajna-paramita Sutras)

- Sutras da Terra Pura de Amitabha (Sukhavativyuha Sutras)

- Sutra do Lótus do Dharma Maravilhoso (Saddharma Pundarika Sutra)

 

As principais escolas são: C’han (China) e Zen (Japão) que buscam e pregam o máximo de simplicidade tantos nos ritos, como na vida cotidiana dos praticantes.

 

É a principal corrente do budismo e conta com mais de 185 milhões (56% do total) de adeptos espalhados por todo o mundo 

 

Para saber mais sobre o budismo Zen, clique aqui.

 

VAJRAYANA

Também chamado de Veículo de Diamante, surgiu por volta do século VI nas regiões nordeste e noroeste da Índia. Este movimento também é conhecido como Veículo do Tantra (sânsc. Tantrayana) e Veículo do Mantra (sânsc. Mantrayana). O Vajrayana é uma forma específica de buddhismo Mahayana que foi difundido pela Ásia Central, Tibet, Nepal, Butão, Mongólia, China e Japão. Através da Mongólia, o buddhismo tibetano também chegou ao sul da Rússia, hoje dividido em repúblicas autônomas no Cáucaso e na Sibéria.

 

As escolas do Vajrayana costumam tomar o Samdhinirmochana Sutra como base para classificar os ensinamentos buddhistas em três "ciclos" ou "giros da roda do Dharma".

 

As principais escolas são: Nyingma, Kagyü, Sakya e Gelug (liderada pelo Dalai Lama)

 

Tem hoje 20 milhões de adeptos (6% do total).

   

 

O BUDISMO NO BRASIL

   Comparativo: Principais Religiões X População

Igreja Católica Apostólica Romana ...

 124.980.132

Igrejas Evangélicas .......................

 26.184.941

Espírita ......................................

 2.262.401

Umbanda ....................................

  397.431

Budismo ....................................

  214.873

Candomblé ..................................

  127.582

Judaísmo ....................................

  86.825

Islamismo ...................................

  27.239

Espiritualista ...............................

  25.889

Hinduísmo ...................................

  2.905

  Fonte: IBGE (Censo 2000)